Filipe Norberto
Diego Souza
Kaique Pedaes*
Incentivados pelas promessas de fama e altos salários, muitas crianças sonham com a profissão de jogador de futebol. Espelham-se em trajetórias vitoriosas e se dedicam ao esporte desde cedo, pois a caça a novos talentos não conhece limite de idade. Embora os países europeus exijam a maioridade dos jogadores para que possam atuar, isso não impede a contratação precoce dos atletas. O concorrente mercado da bola não permite vacilos e os clubes nem sempre podem se dar ao luxo de esperar a formação completa dos garotos prodígios do esporte milionário. Nesse contexto, as categorias de base, cada vez mais profissionalizadas, ganham extrema importância no cenário futebolístico e a prova disso é a atenção atribuída a elas pelas grandes equipes. Competições como o Campeonato Brasileiro Sub-20 (disputado desde 2006) e a tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior ( em sua 42ª edição em 2011) são excelente vitrines para as revelações do futebol nacional.
De olho na oportunidade de exibir suas jóias ao país, o Cruzeiro enviou sua equipe Sub-20 para fazer pré-temporada no campus da Universidade Federal de Viçosa (UFV) - MG, onde contaria com o apoio de professores, alunos e estruturas físicas do curso de Educação Física. A opção parece ter surtido efeito e a equipe mineira sagrou-se campeã brasileira na categoria. Segue agora rumo ao título da Copa São Paulo**, que já revelou jogadores de projeção internacional como Kaká, Júlio Baptista, Toninho Cerezo, Sócrates, etc.
Nos últimos anos tem se intensificado as manobras dos clubes brasileiros visando repatriar jogadores renomados como: Ronaldo,Adriano, Robinho, Ronaldinho, etc. O que poucos sabem, é que tais contratações não são novidade em terras tupiniquins, uma vez que tais transações nos remete a meados da década de 1980, quando a maioria dos atletas da imortal seleção canarinho decidiram voltar ao país, muitos por não terem alcançado lá, as mesmas glórias obtidas aqui, ou por estarem saturados da extrema cobrança por profissionalismo dos gigantes europeus. Tal fato só reforça a tese de que o futebol brasileiro vive uma crise na formação de craques. A seguir, citaremos os mais interessantes casos:
Sócrates: Conhecido por sua extrema classe e técnica apurada, o Doutor da Fiel ou Magrão, como era chamado, fez sucesso no futebol brasileiro defendendo as cores do Botafogo de Ribeirão Preto, clube de sua cidade natal. Na sequência vestiu a camisa do Corinthians, clube onde viveu o auge de sua carreira, tornando-se peça-chave da seleção canarinho que disputou a Copa de 1982. Em 1984, decidiu jogar na Itália devido à negação da emenda de 1984 que instituiria o voto direto ( o próprio jogador utiliza-se desse argumento para justificar sua ida ao exterior). A passagem pela Fiorentina foi curta, atuando por lá na temporada 84-85, tendo uma saída um tanto quanto conturbada, já que acusava seus colegas de elenco de perseguição e manipulação de resultados. É nesse contexto polêmico que Sócrates retorna ao Brasil para atuar no Flamengo.
Doutor da Fiel, Magrão ou simplesmente Sócrates, chame-o como quiser.
Júnior: Leovegildo Lins da Gama Júnior, ou apenas Júnior, como é conhecido por grande parte da torcida brasileira e rubro-negra. Lateral ambidestro e de habilidade refinada, que o credenciou a atuar diversas vezes no meio-campo durante sua carreira, defendeu as cores rubro-negra no período de 1974 a 1984, quando transferiu-se para o modesto Torino da Itália onde permaneceu até 1987, passando a defender as cores do também italiano Pescara. Em 1989, a pedido de seu filho, decide voltar a atuar pelo clube da Gávea. Mesmo com a idade já avançada, 33 anos, o vovô garoto, como foi chamado em sua segunda passagem pelo clube, conquistou a Copa do Brasil de 90, o Campeonatos Estadual de 91 e o Brasileirão de 92.
Junior, o vovô garoto da Gávea
Romário: Criado nas categorias de base do Vasco da Gama, clube que defendeu no período de 1981 a 1988, Romário foi comprado pelo PSV Eindhoven da Holanda. Na equipe holandesa, atingiu a incrível marca de 98 gols em 109 partidas, o que chamou a atenção dos gigantes europeus e em 1993 passou a vestir a camisa blaugrana do Barcelona. Eleito melhor jogador da Copa do Mundo de 1994, recebeu também o prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA no mesmo ano. Decide, então, retornar ao Brasil no ano do centenário flamenguista, em 1995, juntando-se a Sávio e Edmundo. Rapidamente a imensa torcida rubro-negra cantava pelas arquibancadas do país o famoso jargão: “ Sávio, Romário e Edmundo melhor ataque do mundo” , o curioso é que diante da escassez de títulos, ao final da temporada a mesma torcida que aclamou os craques gritava: “ Sávio, Romário e Edmundo pior ataque do mundo.”
Da esquerda para a direita: Romário, Sávio e Edmundo. Melhor ou pior ataque do mundo?
Marcelinho Carioca: Após atuar pelo Flamengo entre os anos de 1988 a 1994, transfere-se para o Corinthians, identificando-se rapidamente com a fiel torcida. Logo, suas boas atuações e títulos conquistados levaram-no ao Valência-ESP em 1998, onde teve uma passagem relâmpago, já que amargou a reserva e participou de apensa 5 partidas pelo clube. Insatisfeito com a situação, Marcelinho estava decidido a voltar ao Brasil, e rapidamente o presidente da Federação Paulista de Futebol(FPF), Eduardo José Farah, numa transação obscura, adquiriu os direitos federativos do atleta e criou o Disque Marcelinho, que consistia numa disputa em que as torcidas dos quatro maiores clubes do estado (Santos, São Paulo, Palmeiras e Corinthians), fariam uma ligação que custava R$ 3,00 e a torcida mais bem sucedida ganharia o jogador como prêmio e ,adivinhe, a Fiel torcida demonstrou todo o carinho que tinha com o jogador e venceu com folga a disputa, obtendo 62,5% dos votos ,enquanto o São Paulo segundo colocado, ficou com 20,3%.
Se você quer Marcelinho Carioca no seu time tecle F13
Vágner Love: Em 2005, o atleta chegou a vestir a camisa do Corinthians e dar entrevistas como se realmente já fosse jogador do Timão, mas um pequeno detalhe impediu que a transação ocorresse: o CSKA, clube defendido por Vágner Love, não havia sido informado de sua transferência. Passado o fiasco de 2005, o jogador finalmente retorna às terras tupiniquins para atuar pelo Palmeiras, mesmo time que o havia revelado em 2002 e onde atuou até 2004, antes de transferir-se para o futebol russo. Passado os conturbados seis meses de sua volta ao Brasil, o atleta transfere-se para o Flamengo, clube para o qual torcia quando criança.
O artilheiro do amor
Ronaldo: O atacante iniciou sua carreira profissional no Cruzeiro, e jogou na Raposa de 1993 a 1994, onde despontou e foi convocado logo de cara para a seleção brasileira que conquistou o tetra. Em seguida, transferiu-se para o PSV, da Holanda, onde teve uma média de gols bem parecida com a que ele teve no clube mineiro. A partir daí, entrou de vez em seu auge. Foi para o Barcelona; Internazionale; Real Madrid; e Milan. Nesse tempo, disputou ainda as Copas de 1998, 2002 e 2006, tornando-se o maior artilheiro da competição da história. Todavia, envolveu-se em algumas polêmicas, que não precisam ser mencionadas aqui, e quase encerrou sua carreira. Mas, em 2008, Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, correu atrás e conseguiu contratar o jogador junto ao Parque São Jorge, onde, mesmo com problemas físicos, voltou a jogar bem pelas suas condições, conquistando o Paulistão e a Copa do Brasil de 2009.
Robinho: O menino da Vila ainda não está no fim da sua carreira, mas, depois de demonstrar infelicidade no seu último clube, o Manchester City, voltou ao Santos e conquistou o Paulistão e a Copa do Brasil de 2010. Robinho ainda teve passagens pelo galáctico Real Madrid, de 2005 a 2008. Atualmente, ele defende a camisa do Milan.
O eterno menino da vila
Adriano: O Imperador jogou grande parte de sua carreira na Itália, onde ganhou o apelido. Iniciou no Flamengo em 2000. No ano seguinte, transferiu-se para a Internazionale. Para ganhar um 'ritmo europeu', foi emprestado a Fiorentina e Parma, e retornou à Inter em 2004, onde jogou até 2007. Retornou ao Brasil em 2008 emprestado para o São Paulo. Voltou a Milão no início da temporada européia (segundo semestre). Mas no clube italiano, não teve a felicidade de antes. Assim, como um bom filho à casa torna, retornou ao Flamengo. E lá ajudou na campanha do pentacampeonato brasileiro do rubro-negro. A Roma gostou do seu futebol e contratou o jogador, que permanece lá.
Imperador da gávea
Ronaldinho Gaúcho: Deixamos o caso mais recente por último. Depois de ficar na reserva do Milan, o craque demonstrou seu desejo de voltar ao Brasil, despertando, assim, o interesse de vários clubes, dentre eles Palmeiras, Grêmio e Flamengo. O clube da Gávea levou a melhor no desfecho da grande novela que durou semanas e semanas. Mas por que ele queria voltar ao Brasil? O desejo de voltar à vestir a amarelinha e disputar a Copa no Brasil em 2014, ou um ambiente mais calmo e longe das pressões que vinha sofrendo na Itália? Antes do clube italiano, o gaúcho havia jogado em outros três times: Grêmio, clube que o revelou, de 1998 a 2001; PSG, de 2001 a 2003; e Barcelona, de 2003 a 2008.
Ronaldinho Gaucho Arquivo Revista Veja
Assistam agora a uma homenagem feita aos jogadores que decidiram voltar a nossa pátria amada
BOLA NA FOGUEIRA
O Brasil certamente é um dos maiores celeiros de jogadores de futebol do mundo. Mas uma indagação faz-se necessária: é mais lucrativo permitir o desenvolvimento de nossos craques no exterior ou formá-los em nosso próprio território? Essa questão pode ser discutível, mas indiscutível é que no quesito econômico estamos em déficit, pois entregamos nossas jóias aos cuidados alheios depois pagamos valores demasiado exorbitantes para as condições monetárias de nossos clubes para vê-los atuando novamente em nossos estádios. Sim, pagamos caro e não raras vezes recebemos atletas em condições físicas inapropriadas para a prática do esporte. Pode parecer inadequado utilizar-se de uma visão tão atrelada à economia para discutir assuntos futebolísticos, mas quem presa por análises coerentes sobre essa paixão nacional não pode menosprezar o efeito das finanças no desenrolar dos acontecimentos. Se a incidência de tal mentalidade no futebol é lamentável, natural ou benéfica, isso fica entregue ao julgamento de cada leitor.
*Kaique Pedae, 12 anos, de Franca-SP, escreve no http://net-esportes.blogspot.com/
** O texto foi escrito quando a equipe do Cruzeiro Esporte Clube ainda não havia sido eliminada da competição.
*Kaique Pedae, 12 anos, de Franca-SP, escreve no http://net-esportes.blogspot.com/
** O texto foi escrito quando a equipe do Cruzeiro Esporte Clube ainda não havia sido eliminada da competição.







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